[Variância Negativa] Quem vai revolucionar a Educação?

sábado, 13 de abril de 20130 comentários


Abre a porta, chega e caminha em direção à mesa.  Só a fileira da frente ouve o “bom dia”. Tira a tampa do pilot e faz um teste traçando uma linha no quadro, que em breve estará preenchido. Em uma das mãos segura um papel – às vezes um caderno, um papel ou usa a cabeça mesmo - e escreve definições, demonstrações, teoremas, corolários, proposições e letras gregas. “Posso apagar aqui?” – pergunta. Explica e apaga. Explica e apaga. Isso se repete diariamente em diversas instituições de ensino.

O mundo mudou. Muitos dos alunos dos cursos de graduação em Estatística fazem parta da chamada Geração Z, a geração da internet, dos aparelhos eletrônicos, dos games e extremamente conectada. O ensino não mudou.


É possível encontrarmos em salas de aula um projetor ligado a um computador. Antes, transparências faziam um texto aparecer na parede através de um retroprojetor, aparelho que muitos já não conhecem. Uau, agora temos computadores onde podemos exibir gráficos tridimensionais e coloridos. Agora, os programas que demoravam horas para executar retornam em frações de segundos. Ok. Apesar das inovações tecnológicas, a sala de aula continua praticamente a mesma.


Como revolucionar a educação?


Esse texto não vai responder essa pergunta. Isso me faz lembrar uma campanha publicitária da TV Futura (vídeo) que dizia o seguinte: “Não são as respostas que movem o mundo, são as perguntas”





Enquanto não temos a reposta, vamos falar sobre algumas coisas. Professor, quando um celular tocar durante a sua aula, lamente somente pelo barulho e pela falta de respeito. Eles estão ligados durante toda a sua aula, com a tela pipocando informações. Redes sociais, notícias, vídeos, jogos, durante toda a sua aula, competindo com você. “Mas, e daí? Eu faço o meu trabalho e, quem quiser aprender, aprenda” – você poderia dizer.  Eu concordo que um estudante, sobretudo a partir da graduação, deve ser autodidata em alguns momentos. Saber estudar, procurar ajuda nos livros, tirar dúvidas e querer aprender. Entretanto, eu acredito que é missão do professor lutar diariamente pela atenção do aluno, cativá-lo.


Um estudante quer saber o porquê das coisas, o motivo de ter de aprender aquilo que está sendo ensinado. Eles questionam: “Pra que serve isso? Eu nunca vou usar isso na minha vida profissional.” Eu acho que aí está o ponto chave. Se querem revolucionar a educação, que comecem por aí. Mostrem aos alunos o porquê. 
Já fazem isso, mas não da forma ideal. Sempre comentam que tal ferramenta é usada na indústria, etc. Ok. Já resolvi muitas questões envolvendo o tempo de vida de lâmpadas, mas na minha casa elas continuam queimando.


Tablets, notebooks, novos formatos de sala de aula, carteiras, livros interativos, escola sem muros, nada disso revolucionará a educação por si só.  Façam que os alunos enxerguem que aquilo que estão aprendendo é importante e que não estudem para serem aprovados, que estudem por curiosidade, com vontade e satisfação. Como? Não sei. Aliás, nesse texto transferi a responsabilidade aos professores.  Prometo, como aluno, fazer o dever de casa e pensar no nosso papel nisso tudo. Apesar de que, falar em revolucionar a educação, enquanto alunos agridem os (desvalorizados) professores, que rolam no chão tentando se defender, talvez tudo isso seja irrelevante. 


Então, voltemos ao impasse. Aliás, quando é a próxima prova mesmo?


Este é mais um post da coluna Variância Negativa: um papo sobre a vida do estudante de Estatística.
Por Vinicius Leite.
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