Números mentirosos

sábado, 27 de abril de 20130 comentários


Opiniões, ideologias, mentalidades. Vivemos em um mundo em que a subjetividade é predominante. Mas o que acontece quando temos a necessidade de uniformizar características do cotidiano, traços da sociedade de uma forma clara e objetiva? Como definir o que é o que, sem que haja conflito de ideias? É a partir dessa necessidade que surgem os indicadores sociais. Métricas que nos ajudam a apresentar características inicialmente abstratas em dados numéricos.


Dentre os vários indicadores, podemos lembrar de alguns mais conhecidos como a taxa de desemprego, taxa de mortalidade infantil, índice de Gini, o Índice de Desenvolvimento Humano e taxa de analfabetismo, que são imprescindíveis para estudos populacionais.


Mas não é sempre que podemos levar ao ‘pé da letra’ os dados obtidos a partir do indicador. Dentre as principais propriedades dos indicadores sociais, deve-se observar a confiabilidade dos resultados obtidos.


Tomando como exemplo o índice de casos registrados de violência contra a mulher. Desde que houve um aumento no patrulhamento nas áreas de menor renda da cidade do Rio de Janeiro, houve um aumento expressivo na quantidade de casos registrados de violência contra a mulher. Observando apenas o número de registros, poderíamos chegar à conclusão de que a violência contra a mulher vem aumentando. Quando, na verdade, observando o contexto chegamos à conclusão mais plausível de que a quantidade de casos de violência contra a mulher não necessariamente aumentou, mas as mulheres estão se sentindo cada vez mais seguras em se pronunciar diante a violência contra elas.


Outra dificuldade encontrada quando se escolhe o indicador mais apropriado é a sua validade, ou seja, o quão próximo da característica estudada que é o indicador. Um bom exemplo seria o Produto Interno Bruto do Brasil. O Brasil é um dos líderes mundiais em relação ao PIB, estando entre os dez maiores do mundo. O PIB representa a soma em valores monetários de todos os serviços e bens produzidos da área de estudo. Porém o PIB não leva em conta a desigualdade da população de estudo, podendo ser relativamente elevado mesmo que uma quantidade expressiva da população continue em situação de pobreza, como é o caso do Brasil. Então mesmo que seja útil para medir o nível de desenvolvimento econômico de um país, não é o indicador ideal como representativo da qualidade de vida do mesmo. Nesse caso, o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) é muito mais apropriado para representar a qualidade de vida de um país, já que esse indicador agrega dados da expectativa de vida ao nascer, escolaridade e o próprio PIB.


Cabe ao profissional da área ter domínio sobre as características dos indicadores para que possa fazer um estudo coerente da população para que não haja políticas futuras equivocadas. 



Quem escreve?
Gustavo Romão, estudante da graduação da Universidade de Brasília. Colaborador.

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