Estatistica mentirosa 2.0

sábado, 6 de abril de 20130 comentários


São tantos exemplos, que provavelmente mesmo com um post diário durante anos o assunto não se esgotaria. Na última postagem a abordagem sobre o tema ficou um pouco mais restrita ao uso dos gráficos. Dessa vez, mostrarei que as "mentiras" não se restringem só a eles.

Conclusões de Estudos

Conclusões erradas ou precipitadas podem levar à mentiras estatísticas também. Para ilustrar, pensemos no seguinte estudo: "Durante anos foram registrados dados de danos causados por incêndios e o número de bombeiros envolvidos no combate dos mesmos. Notou-se que o aumento do número de bombeiros é seguido por danos maiores. Qual conclusão tiramos disto? Deve-se enviar menos bombeiros para combater incêndios a fim de reduzir os danos causados por estes? A resposta é óbvia, mas em casos mais complexos decisões erradas podem ser tomadas". Querem um exemplo verídico? Leiam abaixo.

Manchete da página principal do UOL Ciência e Saúde de 16 de março de 2009:
Fast food aumenta o peso, mas também a felicidade das crianças, diz estudo.


O estudo sobre o qual a manchete se refere foi publicado no Journal of Happiness Studies. Neste estudo há fatores que não estão sendo levados em consideração, como o fato de, por exemplo, a criança, no ato do consumo estar realizando um programa familiar de que ela gosta. Além disso alguém duvida que oferecer um fast-food à uma criança é quase o mesmo que oferecer uma banana a um macaco?


Verdade?


Existem também artigos e notícias, geralmente de cunho político, nos quais quase sempre são utilizados dados estatísticos para explicitar a eficiência de determinado órgão ou ação tomada. Entretanto, o que acaba ocorrendo neste tipo de situação é que nem todas as informações são expostas, mas apenas o que é interessante para quem as está expondo. Veja o exemplo abaixo:

Manchete do ultimosegundo.ig.com.br de 21 de dezembro de 2009:

Polícia pacificadora reduz índices de criminalidade na Cidade de Deus.





Inaugurada em fevereiro deste ano, a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Cidade de Deus, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, vem mudando aos poucos a realidade desta comunidade mundialmente conhecida graças ao filme do cineasta Fernando Meirelles. Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) mostram que as taxas de criminalidade na favela vêm caindo e, para a Polícia Militar, essa redução pode ser atribuída ao projeto de pacificação.



Nesta notícia o problema não é a veracidade da informação, mas o uso da estatística como meio de persuadir o povo. Quando é dito que a implantação da UPP reduziu a criminalidade no local, pode ter havido interesse político em mostrar a eficiência da ação tomada pelo governo. Entretanto, o que passa despercebido são as consequências deste tipo de ação, pois há intenção em apresentar somente o lado positivo do que foi feito. Veja agora outra notícia com tema bastante semelhante mas que apresenta informações complementares que mostram os dois lados da coisa .

Manchete do odia.ig.com.br de 21 de dezembro de 2009:


Pesquisa aponta que UPPs provocaram redução no número de assassinatos.






Em linhas gerais, o estudo mostra que a presença das UPPs está diretamente ligada à redução de crimes violentos. Os homicídios dolosos foram reduzidos, numa média mensal, de 0,36, antes das UPPs, para 0,15, depois da pacificação. Cada UPP salva pelo menos seis vidas por ano. O dado que mais chama a atenção é o de autos de resistência (mortes em confronto com a polícia): a média mensal baixou de 0,50 para 0,01. No entanto, a queda desses casos implica no aumento de outros tipos de crimes que antes não sobressaíam, como furtos (de 3,48 para 5,38), violência doméstica (2,17 para 8,47) e estupros (de 0,14 para 0,37).
Compartilhe :
 
Support : Creating Website | Johny Template | Mas Template
Copyright © 2011. Estatisti.co - All Rights Reserved
Template Created by Creating Website Published by Mas Template
Proudly powered by Blogger