José Matias fala sobre os desafios da carreira de estatístico

sábado, 2 de fevereiro de 20130 comentários


Em entrevista realizada com o professor José Matias Lima, professor e pesquisador da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE/IBGE), ele destaca que é essencial que o estatístico esteja preparado para enfrentar os desafios decorrentes das rápidas transformações da sociedade e do mercado de trabalho. Durante a entrevista, ele também ressalta que uma das coisas mais atraentes na profissão de estatística é a possibilidade de atuação em diferentes áreas do conhecimento.

Foto por André Teixeira, arquivo pessoal


José Matias Lima é bacharel em Estatística pela Universidade Estadual de Campinas e mestre em Estatística (Matemática Aplicada) pelo IMPA. É Pesquisador em Informações Geográficas e Estatísticas do IBGE, lotado na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE), onde atua como pesquisador e professor.


Confira abaixo a entrevista na íntegra.


Como você decidiu seguir a carreira de estatístico?

JOSÉ MATIAS:  Opção por estudar/formar na área de Ciências Exatas, engenharia ou matemática aplicada.



Quais são as principais habilidades que um profissional necessita para ser bem-sucedido?

JOSÉ MATIAS: Além de ter uma sólida formação e adquirir conhecimentos de conteúdos, habilidades e competências próprias da Estatística, o profissional deve ter habilidades para aprender e utilizar, com propriedade, softwares estatísticos, manipulando grandes bancos de dados e aplicando a metodologia estatística mais apropriada para a análise e modelagem de dados.
 Deve estar sempre atento e atualizado de tal forma que possa saber identificar, formular e resolver problemas nas diferentes áreas da aplicação da Estatística, sobretudo aprendendo a  ouvir e entender as demandas/necessidades dos clientes nas diferentes áreas onde o profissional é demandado. Fundamental que tenha capacidade de interpretar as soluções encontradas dentro de um contexto global e social e que tenha habilidades de comunicação oral e escrita para transmitir estas conclusões de forma clara e objetiva aos demais profissionais de outras áreas. Essencial que esteja preparado para enfrentar  os desafios decorrentes das rápidas transformações da sociedade e do mercado de trabalho - veja por exemplo a necessidade de conhecer e utilizar softwares estatístico "free", tais  como o R, e também conhecer novos aplicativos necessários para dar conta de tratar de uma enorme gama de informações hoje facilmente acessadas na Internet. Importante saber explorar a criatividade e o raciocínio crítico no desempenho de suas funções.



“Essencial que [o estatístico] esteja preparado para enfrentar  os desafios decorrentes das rápidas transformações da sociedade e do mercado de trabalho.”



Quais são as perspectivas da carreira de estatística?

JOSÉ MATIAS:  As perspectivas são grandes. O estatístico tem grandes chances de obter êxito em sua vida profissional quer seja atuando na Academia (Universidades, Centros de Estudos e Pesquisas), ou no Mercado de Trabalho (setor privado ou setor público). O que torna ainda mais atraente a profissão é a possibilidade de atuação em diferentes áreas do conhecimento. Adicionalmente, é preciso lembrar que o Mercado está atualmente mais receptivo para absorver este profissional que é essencial em qualquer empresa interessada em melhorias contínuas de seus  diferentes processos buscando garantir o sucesso do negócio.



Um estatístico trabalha com profissionais de várias áreas. Que diferença isso faz no trabalho do profissional de estatística?

JOSÉ MATIAS: Acho que este é um dos grandes atrativos e também desafios da profissão e que permite ao estatístico estar sempre em processo de aperfeiçoamento e aprendizado, pois para entender e compreender as demandas dos profissionais das outras áreas é fundamental estar "atualizado" e, portanto, estudar/buscar soluções para diferentes problemas em diferentes áreas do conhecimento. Em várias situações isto poderá implicar na realização/investimento em cursos de especialização - quer seja um MBA ou mesmo a inserção em algum programa de pós-graduação na Estatística, em área correlata ou mesmo na área onde o profissional  esteja atuando, por exemplo, Marketing, Finanças, Previdência Privada, etc.



“O que torna ainda mais atraente a profissão é a possibilidade de atuação em diferentes áreas do conhecimento.” 



Você acha que o estudante deve buscar experiência profissional ou continuar se dedicando aos estudos?

JOSÉ MATIAS: Avalio ser positivo a inserção do estudante de Estatística (Bacharelado) em estágios (supervisionados), sobretudo porque a inserção do estatístico no mercado de trabalho se dá, ainda, principalmente via os estágios, mas isto só deve ser feito após o aluno ter completado o ciclo básico, ou seja, já ter cursado com sucesso disciplinas  do núcleo duro da formação do estatístico, tais como as disciplinas referentes aos estudos do Cálculo das Probabilidades, Inferência Estatística, Introdução a Teoria da Amostragem e Modelagem Estatística. Importante que  as atividades sejam realizadas dentro de uma carga horária que seja compatível com  o projeto pedagógico do bacharelado de forma que o estágio não prejudique o desempenho  acadêmico do aluno. A experiência profissional pode também ser obtida através da participação em projetos de pesquisa coordenados por profissionais da Estatística (por exemplo, projetos desenvolvidos no âmbito do  PIBIC ou em projetos de pesquisas realizados em parceria com outros estudantes e professores/pesquisadores da área da Estatística).



Bayesiana ou Clássica? 

MATIAS: Clássica e Bayesiana.



Carreira pública ou privada? 

MATIAS: Ambas.



SAS ou SPSS? 

MATIAS: SAS, SPSS, STATA, R, MINITAB, etc.



Uma aplicação genial da estatística: 

MATIAS: Planejamento de Experimentos.



Fisher ou Pearson?

MATIAS:  Ambos.



Uma área da estatística:

MATIAS: Modelagem de Dados.



Referência profissional: 

MATIAS: Norberto Dachs.



Uma distribuição:

MATIAS: Normal.



Um livro: 

MATIAS: Applied Linear Statistical Models (Neter, Kutner, Nachtsheim, Wasserman) e Introduction to the Theory of Statistcs (Mood, Graybill. Boes).



Mestrado no Brasil ou no exterior?  

MATIAS: Mestrado em Estatística no Brasil, preferencialmente em outra  Instituição de Ensino,  de forma que você possa ter oportunidade de conhecer outros pesquisadores/professores/profissionais e também vivenciar outros ambientes acadêmicos. Já temos excelentes programas de pós-graduação em Estatística no Brasil. Mas, estudar no exterior, sem dúvida alguma, significa a possibilidade de vivenciar uma excelente oportunidade  de aprendizado e crescimento pessoal que certamente sempre irá enriquecer o seu currículo.
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